Vanja Hertcert - Arquitetura

Assoc. Brasileira de Enologia

Espaço para o vinho / acessar

Quem ama o vinho terá sempre a preocupação de preservar suas virtudes e trata-lo com tanto carinho quanto prazer ele lhe proporciona. E, convenhamos, ele tem lá suas exigências.

Importante saber, ao planejar o espaço que você quer dispor para seus vinhos, a área mínima ideal para o seu consumo. Dependendo do perfil, podemos programar uma adega, ou ajeitar um pequeno desvão de escada, até uma prateleira em lugar adequado. A febre atual é das adegas climatizadas. Fáceis de instalar, dimensionadas para todo tipo de usuário, elas garantem as condições ideais de armazenagem. Mas se você é um romântico e quer degustar aquelas preciosidades com alguns amigos especiais, então um ambiente destinado à adega será fundamental.

Vamos avaliar primeiramente o espaço mínimo para o seu estoque de um ano, seguindo um exemplo:

• Para receber amigos num jantar: (1/mês) x 5 garrafas = 60 garrafas/ano;

• Jantar em família: (3/semana) x 1 garrafa = 144 garrafas/ano

• Para presente = (2 x mês) X 1 garrafa = 24 garrafas/ano

• Consumo estimado anual = 228 garrafas ou 38 caixas de 6 garrafas.

Surpreendeu-se com a quantidade para um ano? Pois este será o mínimo, o espaço inicial. Daqui para diante sua paixão será o limite.

Afinal, como devo armazenar? A primeira pergunta deveria ser: por que a armazenagem correta é importante? Segundo os especialistas o modo como o vinho é estocado afeta o seu desenvolvimento na garrafa, tanto em relação á época em que estará pronto para ser servido, quanto à maneira como os componentes do vinho (acidez, tanino e fruta) evoluem e se integram.

As condições de armazenagem também afetarão o aspecto exterior da garrafa, que é um ponto importante quando se trata de um restaurante ou revenda de vinhos.

A seguir vamos descrever as condições ideais para a armazenagem do vinho:

Temperatura: a temperatura constante é o fator mais importante para a armazenagem do vinho. Se ficar entre 10 e 15° C teremos a temperatura ideal. As flutuações sazonais suaves não interferem, mas temperaturas extremas ou mudanças bruscas são prejudiciais. Como o ar quente sobe, a parte mais alta será sempre mais quente que a baixa, portanto procure colocar os vinhos brancos e rosés na parte de baixo e os tintos nas prateleiras mais altas.

Umidade: a umidade ideal deverá ficar entre 60 e 80%. Se os níveis ficarem acima, não afetará o vinho, mas em compensação haverá dano para o rótulo. Com nível de umidade baixo, a rolha ressecará e encolherá, podendo prejudicar e muito o seu vinho.

Luz: bloqueie a entrada de luz natural e projete uma iluminação suave e difusa.

Ventilação: a circulação de ar corrente irá manter a armazenagem livre de maus cheiros que podem afetar o aroma do vinho. Produtos químicos como tintas e material de limpeza devem ficar distantes da sua adega.

Estabilidade: conserve os vinhos distantes de movimentos e vibrações. Mantenha-o isolado do chão e longe de paredes caso esteja próximo de máquinas ou ferrovias.

Posição: a posição horizontal será a mais indicada para evitar o ressecamento da rolha, pois manterá o contato com o vinho e a umidade.

Fórum de Arquitetura do Vinho / acessar

Na cidade de Mendoza, Argentina, aconteceu neste mês de setembro um interessante Fórum abordando a nova arquitetura de vinícolas. O grupo de palestrantes dissertou sua experiência e seus estudos sobre distintos aspectos, desde a implantação da unidade de produção em relação aos acessos e vinhedos, até a finalização do espaço como conceito de produto. Passou pelos fatores determinantes de um espaço como tecnologia e climatização.

Dissertou sobre a importância do trabalho integrado entre diferentes personagens e profissionais: o proprietário da vinícola, o enólogo, o agrônomo, o engenheiro de processo, e o arquiteto, cabendo a este último a articulação entre as diferentes áreas.

Os atributos do vinho, como expressão da filosofia do vinicultor, as características visuais do prédio da vinícola e o design da embalagem formam uma unidade que estabelece a identidade da marca.

Num mundo em constante evolução, é natural que a viti-vinicultura também sofra profundas transformações. São novas tecnologias para aprimorar processos, que necessitam espaços adequados. Surgem ainda novos conceitos de apresentação do produto ao mercado, associando o produto final ao espaço onde ele é elaborado.

Definir uma marca é assumir uma identidade, e é exatamente isso o que as novas vinícolas estão procurando, e alcançando. Numa cultura visual, a imagem de um prédio é um fácil gerador de significados. Um prédio com estilo focado na marca e seus significados, promove tanto para o proprietário quanto para o público um entendimento mútuo do produto. Este não é um exercício superficial; não é uma tendência. Melhor, é uma sofisticada manifestação do entendimento de que a comunicação visual transcende todas as outras, particularmente nos dias de hoje. A verdade por trás disso, é claro, fica evidenciada pelo poder da mensagem visual, comunicação que vai além da linguagem; e é verdadeiramente internacional.

O prédio e as instalações da vinícola influenciam o ânimo e o espírito das pessoas que lá trabalham e que a visitam. Refletem nossa ambição quanto ao vinho. Proporcionam motivo de orgulho ou não.

O mesmo se aplica ao design da embalagem. O design da embalagem coloca o vinho onde e como o consumidor o percebe. Se não corresponder às expectativas do vinicultor, todo seu esforço de agregar atributos ao seu vinho estará perdido pela simples e direta desclassificação pelo consumidor.

Portanto, a imagem desejada para o vinho também deve estar claramente expressa na sua apresentação material direta: o rótulo e demais elementos de embalagem. O design do produto se apóia no design da vinícola e se materializa no design da embalagem.

Se o vinho pretende disputar em condições de vencer a concorrência globalizada, as características de forma e estilo do prédio onde será produzido e o design da embalagem devem antecipar ao consumidor a qualidade e atributos prometidos pelo produtor.

A imagem desejada para o vinho também deve estar claramente expressa na sua apresentação material direta: o rótulo e demais elementos de embalagem. Design do produto se apóia no design da vinícola e se materializa no design da embalagem.

Lugar de vinho / acessar

Como é fundamental para os apaixonados por vinho compartilharem suas preciosidades, e ainda permitir que este delicado produto tenha o tempo necessário para completar sua elaboração, precisamos pensar em um local adequado para guardá-lo. As pequenas adegas climatizadas resolvem a questão para aqueles que não estão preocupados em colecionar uma grande quantidade de rótulos. Mas e quem já estoca uma mini-adega em casa, como pode certificar-se de que ela está em perfeitas condições de estocagem? Selecionamos algumas dicas que podem orientar quem está por construir uma adega, considerando que o vinho exige uma série de cuidados específicos na sua conservação, ao contrário de outras bebidas como destilados, licores ou aperitivos, que são mais resistentes a alterações de luz, temperatura e som. Para tanto, é necessário observar os seguintes aspectos:

• Onde: os lugares mais apropriados são aqueles distantes das fontes de calor como tubulações de água quente, fogão e motores (estes, ainda tendo como agravantes a vibração das máquinas), além dos próprios raios solares. A implantação mais favorável é na face sul das casas ou no seu cômodo mais sombrio. É fundamental que a adega, independentemente das suas dimensões, tenha uma boa aeração, impedindo assim o acúmulo de umidade e o conseqüente surgimento de fungos e bolores.

• Como: é importante definir o que se espera da adega. Se, além da armazenagem de bebidas, deseja-se que o local também se destine a reunir os amigos para uma degustação, é necessário isolar esta área de convívio da dos vinhos, uma vez que a presença constante de pessoas interfere no seu descanso (quatro pessoas causam um aumento de temperatura de até mais de 1ºC). Numa antecâmara podem ficar os vinhos de consumo imediato, que dispensam maiores atenções, separada, se possível, da câmara da adega por um pequeno corredor, permitindo assim a manutenção de cada ambiente com sua própria temperatura. As portas devem receber vedação adequada (com a colocação de fitas adesivas de borracha esponjosa nas juntas, por exemplo) e molas para o fechamento. Em relação às dimensões, num pequeno espaço de 2 x 1m chegam a caber 400 garrafas.

• Isolamento: para neutralizar o barulho externo, as paredes devem ser revestidas com materiais de bom isolamento acústico, como a cortiça e a espuma de poliuretano. Também o poliestireno expansível (EPS) pode ser utilizado, tendo em vista suas características de isolamento térmico, além de evitar a invasão de formigas e cupins. A própria construção da adega pode ser feita com materiais que já atendam satisfatoriamente a essas necessidades, tais como tijolos maciços de barro e pedras.

• Estoque de vinho: o ar quente está sempre no alto; portanto, as garrafas de vinho tinto devem ser colocadas na parte de cima das prateleiras, e, mais abaixo, as de vinho branco. Devem ser evitados nichos para duas fileiras de garrafas (frente e fundos), pois uma interferirá no descanso da outra ao ser manuseada. Quanto às prateleiras, as de madeira (como o cedro maciço e o pinho, fáceis de ser trabalhados e resistentes ao apodrecimento e aos insetos) são as mais comuns. Existem várias formas de montá-las, mas o importante é que elas tenham uma pequena inclinação para frente, permitindo manter o líquido em contato com a rolha, impedindo a sua evaporação e seu contato com o oxigênio. Alternativa interessante é a colocação de nichos formados por blocos cerâmicos vazados.

• Climatização: a temperatura é a alma e o grande segredo da adega. Ela deve ser fria (em torno de 12 a 18ºC), e as oscilações não devem ultrapassar 0,5ºC, sob pena de comprometer o processo de envelhecimento do vinho. Em locais mais quentes, a manutenção dessas temperaturas pode requerer o uso de condicionadores de ar específicos para adega, pois os comuns estão, normalmente, dimensionados para funcionar a 22ºC, temperatura altíssima para as bebidas. O equipamento de climatização trabalha ininterruptamente, retirando todo o ar quente através do evaporador, instalado dentro da adega, e lançando ar frio pelo compressor, colocado na parte externa da casa. Ele mantém os níveis exatos de temperatura e umidade, outro fator muito importante na conservação dos vinhos. A umidade relativa do ar adequada é em torno de 70%. Quanto à iluminação, deve-se optar pelas lâmpadas de baixíssima potência.

• Limpeza: não devem ser usados produtos de odor forte, pois podem ser absorvidos pelo vinho, em longo prazo, o que alterará seu sabor. Basta água e sabão neutro ou mesmo um pano seco ou espanador.