Vanja Hertcert - Arquitetura

Assoc. Brasileira de Enologia

A arquitetura das vinícolas e sua identidade

Com o mote desafios e identidade está se preparando um fórum de discussões importantes sobre o vinho brasileiro, que acontecerá na próxima edição da VinoTech, em 11 de abril próximo. Uma oportunidade de reflexão do setor sobre seus caminhos, seus desvios e até os atalhos que possamos encontrar no trajeto. Aprender com a experiência dos outros sempre será de grande valia em todas as situações, e mais uma vez devemos buscar parâmetros em outras realidades para dar formato à nossa. Sem, no entanto, esquecer a tal identidade, fundamental num mundo onde tudo berra por diferenciais. A abordagem promete ser interessante e abarcar diferentes aspectos do produto vinho, tão complexo e tão mimado por todos nós.

Pois o nosso Escritório de Arquitetura terá espaço no painel para falar sobre a Arquitetura como ferramenta fundamental na busca da identidade do produto e de um espaço próprio no mundo.

A partir da análise do fenômeno hoje mundial que é a inesperada fusão da cultura do vinho com a arquitetura contemporânea, analisamos alguns marcos arquitetônicos como sinalizadores de uma nova cultura do vinho. E novos projetos internacionais com arquitetura contemporânea para novas vinícolas começaram a atrair a atenção.

Iniciamos uma pesquisa no mundo do vinho e tivemos de revisar várias de nossas teorias originais. Ficou confirmado que desde o tipo de vinícola ao estilo dos Châteaux de Bordeaux o desenvolvimento do vinho permaneceu amplamente intocável pela arquitetura até os anos 1980. Até lá, poucos projetos novos despertaram interesse sem chegar a estabelecer um vínculo entre arquitetura e a elaboração de vinho. E a mudança teve origens pragmáticas. Todo produtor de vinho que mudou de postura e se direcionou para investir na produção de vinhos de qualidade desde os anos 1980 foi forçado a incorporar novos padrões técnicos. A era das antigas vinícolas terminou finalmente. Eles passaram a necessitar de novos espaços adequados a tecnologia e logística que chegaram com os novos tanques de inox, as barricas de carvalho, a fermentação e engarrafamento com temperatura controlada, espaços complexos demais para serem criados apenas com as construtoras. Necessitaram a colaboração dos arquitetos.

E, é claro, a clientela consumidora de vinho mudou e se tornou mais seletiva. A degustação deixou de ser feita em cantinas abafadas com copos baratos, passando para taças de cristal em ambientes elaborados. Este espaço se tornou necessário porque as pessoas deixaram de apenas buscar a produção do ano, elas vêm para visitar o produtor de uva e vinho para explorar e conhecer todos os tipos de vinho de diferentes anos que ele produz. O relevante passou a ser como a cultura do vinho e a arquitetura passaram a se comunicar e interagir.

Aprendemos que a filosofia adequada à produção de vinho mantém um vínculo maravilhoso com a sua contrapartida arquitetônica e o sucesso da relação se manifesta no que for construído.

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