Vanja Hertcert - Arquitetura

Assoc. Brasileira de Enologia

As novas vinícolas

Seguir uma tradição não significa usar o chapéu do seu avô, mas comprar um novo, como ele fazia.

Com esta introdução, tenho em mãos uma belíssima publicação versando sobre Arquitetura, exclusivamente dedicada a estabelecimentos vinícolas.

Como a Arquitetura é uma expressão de cada momento, é natural que a evolução tecnológica nos remeta a uma nova imagem do espaço ideal para a produção de vinhos.

Vinho é paixão. As pessoas que se envolvem com este mundo freqüentemente usam esta energia como plataforma para a criatividade, a inovação e o lúdico. Parece claro que a tradição que tratamos aqui é a produção de vinhos, e não a forma ou o espaço, por vezes ultrapassado, que insiste em remarcar um passado que não foi tão glorioso assim...

Vinícolas com estilo e elegância têm ainda a missão de resguardar o vinho das vicissitudes do clima, de simbolizar as virtudes que lhe confere o passar do tempo, de representar fortalezas ao calor e a luz.

Houve o período dos châteaux, depois as vinícolas que se assemelhavam a igrejas, com imensas naves centrais e duas laterais (qualquer referência com a Eucaristia não será pura coincidência), as catedrais do vinho. Pois este momento passou, e ao longo dos últimos vinte anos o vinho se globalizou e a concorrência comercial evidenciou a qualificação do produto. E aí a arquitetura recebeu dupla função: assegurar ao vinho as melhores condições para sua elaboração e guarda, e ainda proporcionar-lhe uma morada que o enobreça e diferencie dos demais.

Entre os critérios que o Arquiteto deverá tomar em conta serão: a higiene, em primeiríssimo lugar, com a utilização de materiais apropriados. O segundo parâmetro será o controle de temperatura, evitando as bruscas variações climáticas. Depois há que considerar-se o processo de elaboração em si, para que não haja conflitos e seja o mais linear possível. Por fim, a cenografia deste processo, que pode e deve ser muito bem explorada, haja vista que todos os pólos viti-vinícolas do mundo são também fortes atrativos turísticos. Existe algo mais espetacular que encontrar-se entre milhares de barricas?

A organização do processo por gravidade não é nenhuma novidade, já que era um sistema muito utilizado no século XIX, muito antes da invenção das bombas elétricas, mas está se convertendo num modelo. Explorar a declividade natural do terreno não se trata de uma economia de energia, mas sim de respeito à composição molecular do mosto: ao longo do processo de vinificação, as partículas que compõem o vinho polimerizam e formam moléculas cada vez maiores. Estas cadeias de moléculas correm ao risco de romper-se com a agitação, o ar e o calor. Novas propostas de espaços cuidadosamente elaborados para a vinificação existem em todo o mundo, e vamos apresentar algumas nesta coluna, nem que seja para despertar o desejo de comprovar in situ estas majestosas construções. Saúde!

  • Château Thuerry - FRANÇA
  • inícola Petra - ITÁLIA
  • Viña Real - Espanha

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