Vanja Hertcert - Arquitetura

Confraria do Vinho Bento Gonçalves

A nova arquitetura do vinho

Como a Arquitetura é uma expressão de cada momento, é natural que a evolução tecnológica nos remeta a uma nova imagem do espaço ideal para a produção de vinhos.

As edificações projetadas exclusivamente para a elaboração de vinhos começam (e precisam!) romper alguns padrões.

A nova arquitetura do vinho está expressa em três dimensões:

1ª) a construção do vinho em si;

2ª) a construção do ambiente em que o vinho é elaborado;

3ª) a psicologia inerente ao novo consumidor do vinho, já este incorpora e expressa para o consumidor a imagem do ambiente em que ele é elaborado.

Cada vez mais se associa o produto a seus conceitos intrínsecos e a outros elementos e produtos (inclusive marcas) que expressam os mesmos valores a serem agregados. Mais que de estética, falamos aqui de valor agregado.

O que melhor expressa os atributos de um produto que o ambiente onde ele é elaborado?

Vinho é paixão. As pessoas que se envolvem com este mundo freqüentemente usam esta energia como plataforma para a criatividade, a inovação e o lúdico. Sempre associado com tradição, o mundo do vinho está recriando seus conceitos. Parece claro que a tradição que tratamos aqui é a produção de vinhos, e não a forma ou o espaço, por vezes ultrapassado, que insiste em remarcar um passado que não foi tão glorioso assim.

Vinícolas com estilo e elegância têm ainda a missão de resguardar o vinho das vicissitudes do clima, de simbolizar as virtudes que lhe confere o passar do tempo, de representar fortalezas ao calor e a luz.

Houve o período dos "châteaux", depois as vinícolas que se assemelhavam a igrejas, com imensas

Pois este momento passou, e ao longo dos últimos vinte anos o vinho se globalizou e a concorrência comercial evidenciou a qualificação do produto. E aí a arquitetura recebeu dupla função: assegurar ao vinho as melhores condições para sua elaboração e guarda, e ainda proporcionar-lhe uma morada que o enobreça e diferencie dos demais.

Entre os critérios que o Arquiteto deverá tomar em conta serão: a higiene, em primeiríssimo lugar, com a utilização de materiais apropriados. O segundo parâmetro será o controle de temperatura, evitando as bruscas variações climáticas. Depois há que considerar-se o processo de elaboração em si, para que não haja conflitos e seja o mais linear possível.

Por fim, a cenografia deste processo, que pode e deve ser muito bem explorada, haja vista que todos os pólos viti-vinícolas do mundo são também fortes atrativos turísticos.

Existe algo mais espetacular que encontrar-se entre milhares de barricas?

A organização do processo por gravidade não é nenhuma novidade, já que era um sistema muito utilizado no século XIX, muito antes da invenção das bombas elétricas, mas está se convertendo num modelo.

Explorar a declividade natural do terreno não se trata de uma economia de energia, mas sim de respeito à composição molecular do mosto: ao longo do processo de vinificação, as partículas que compõem o vinho polimerizam e formam moléculas cada vez maiores. Estas cadeias de moléculas correm ao risco de romper-se com a agitação, o ar e o calor.

Novas propostas de espaços cuidadosamente elaborados para a vinificação existem em todo o mundo, e vamos apresentar algumas, nem que seja para despertar o desejo de comprovar ’in situ’ estas majestosas construções. Saúde!

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