Vanja Hertcert - Arquitetura

Jornal Gazeta

Acupuntura Urbana / acessar

O que será ’acupuntura urbana’? Pois o nosso genial arquiteto brasileiro Jaime Lerner criou este conceito para defender a melhoria das cidades através de pequenas intervenções.

Assim como a milenar terapia chinesa da acupuntura, Lerner prefere investir em intervenções pontuais na tessitura urbana para sanar a dor de forma instantânea, eficaz e funcional.

O livro Acupuntura Urbana surgiu da constatação de que muitas das transformações importantes na vida das cidades acontecem por uma ação específica, sem precisar interferir radicalmente no traçado e no planejamento, melhorando a cidade sem a necessidade de grandiosas intervenções.

’As mudanças têm de ser rápidas. Inovar é começar’, diz.

A idéia lançada pelo livro se resume ao mote de que "qualquer cidade no mundo (inclusive Bento Gonçalves!!!) pode apresentar melhorias significativas em menos de dois anos. Não importa a escala, nem a dificuldade de recursos, é possível se montar uma boa equação de co-responsabilidade", afirma o arquiteto.

É um livro com "contos" sobre vários pontos que as cidades poderiam ser curadas, com uma "cutucada", igual a acupuntura. E o resultado dessa cura, seria uma cidade PARA as pessoas, propriamente dita, a cidade como ponto de encontro. A cidade onde se é possível ouvir seu barulho, não o barulho dos carros e das máquinas, mas o barulho das conversas, das músicas no comércio, os cheiros, as cores…

Segundo Lerner um dos pontos mais importantes é dar prioridade ao transporte coletivo, desafogando as ruas dos gigantescos congestionamentos, pois uma rua sem carros é muito mais bonita, e dá asas para a imaginação das pessoas...

"Acupuntura" em Bento

Em ’Acupuntura urbana’, Jaime Lerner mostra que o planejamento é um projeto, que por melhor que seja não consegue gerar transformações imediatas. Quase sempre é uma centelha que inicia uma ação e a subsequente propagação desta ação.

Será que Bento Gonçalves não pode iniciar um processo de cura através da ’acupuntura urbana’? Algumas cidades do nosso estado, como Canoas, por exemplo, iniciaram a ação com a criação de concursos para que profissionais urbanistas apresentem soluções inovadoras para a revitalização de seus espaços urbanos. Este poderia ser um caminho interessante a ser adotado, abrindo o leque das discussões e a oportunidade de que surjam novas e estimulantes ideias para a cidade.

Cimento Verde / acessar

O cimento ecológico é produzido no Brasil desde 1952, e precisou tempo para romper a barreira do preconceito por parte dos construtores, por conter em sua fórmula, resíduos industriais.

Com a maior consciência ambiental que está se desenvolvendo, este material já representa quase 20% do consumo brasileiro.

A indústria do cimento é responsável por cerca de 5% das emissões de gás carbônico de todo o mundo. O seu processo de produção libera, por cada tonelada produzida, a mesma quantidade de CO².

Como sair desta encrenca e construir sem utilizar cimento?

Pois estudos realizados concluíram que o clínquer, principal componente da fórmula, é o principal vilão. E a saída para combater este impacto da atmosfera será reduzir a quantidade deste ingrediente em sua composição.

Já existe um tipo de cimento, o chamado CPIII, que substitui parte do clínquer por escórias da indústria siderúrgica, um material nobre que é descarte da fusão de minério de ferro, coque e calcário.

No Brasil este cimento se encontra com mais facilidade na região Sudoeste, pela presença de nossas principais siderurgias, sendo que este novo cimento utiliza 70% do resíduo produzido pelas indústrias do aço.

O CPIII também comprovou sua maior durabilidade e menor custo com relação ao cimento tradicional.

Este chamado "cimento verde" é compatível com qualquer uso em obra como substituto do cimento tradicional. Mas sua maior resistência e processo de cura ligeiramente mais lento o tornam especialmente indicado para peças estruturais importantes, como fundações, lajes e pilares.

O único cuidado a ser observado é a cura, que deve receber água em abundância e acompanhada com atenção.

O CPIII é produzido no Brasil desde 1952, e precisou tempo para romper a barreira do preconceito por parte dos construtores, por conter em sua fórmula, resíduos industriais. Com a maior consciência ambiental que está se desenvolvendo, este material já representa quase 20% do consumo brasileiro.

No Sul temos o cimento pozolâmico, chamado CPIV, que emprega o resíduo das termoelétricas e tem desempenho muito semelhante ao CPIII.

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Morar Contemporâneo / acessar

Nunca o espaço foi tão democrático, pois também nunca se valorizou tanto a personalização dos ambientes. É aquela coisa de criar identidade, de fazer de nossa casa um espaço único e irreproduzível. Pois existem alguns conceitos que podem identificar o que é fundamental para você viver bem. E que podem tornar seu espaço a sua cara!

Memória: uma casa que tenha relação com a sua história pode fazer com que você se sinta muito bem nela.

• Selecione peças de seu passado com os quais se relacione de forma alegre e bem humorada;

• Recorra a arranjos e formas contemporâneas de mobiliário e misture para equilibrar, deixando mais leve a decoração;

• Exponha obras de arte que tenham vínculos com sua trajetória, que representem um momento, pois além de completar visualmente ainda contam histórias.

Mobilidade: evite móveis fixos, para que o espaço possa mudar junto com você.

• A funcionalidade aqui é essencial, e tenha em conta que ela poderá mudar com o tempo;

• Use peças curingas, como bancos, malas e baús, que podem ser reorganizados com facilidade;

• Pense que as peças utilitárias podem também enfeitar

Conforto: sempre estará associado à qualidade de vida, e pode ser um bom e grande colchão, um sistema de aquecimento legal, uma adega se você gosta de vinhos...

• Esteja atento a toda a construção para complementar a sua necessidade funcional com conforto: tudo deve fluir facilmente;

• Temperatura agradável é fundamental para o conforto, portanto avalie se precisa climatizar, isolar, aquecer ou resfriar seus espaços.

• Iluminação adequada é importantíssimo para o conforto.

Acolhimento: calor pode ser o termo, como essencial para a sensação de abrigo. Calor nas texturas de tecidos ou madeira, nas cerâmicas que reportam a casa da gente. Proteção é o que mais procuramos em casa.