Vanja Hertcert - Arquitetura

Revista ConstruArte

Novas Vinícolas da Espanha: Arte e Modernidade / acessar

Vanja Hertcert

Conceitos renovados dão outras formas às casas do vinho na Europa

Em viagem recente à Espanha com o objetivo de conhecer as mais arrojadas vinícolas ali instaladas, nos surpreendemos a cada passo. Estivemos na Rioja, Rioja Alavesa, Somontano e proximidades com Barcelona, onde estão grandes e novos empreendimentos do setor viti-vinícola. 

A grande lição foi de que o vinho, excelente em todas as "bodegas" visitadas, não era o diferencial destes empreendimentos. Todos, e cada um a sua maneira, buscaram associar seu produto a elementos externos que possuem grande potencial para enaltecer o seu negócio. Um vinculou-se fortemente ao mundo da Arte; outro adquiriu um acervo histórico memorável e capaz de atrair pessoas só para conhecê-lo; outro se associou à Gastronomia com produtos colhidos na região; outro tinha uma Arquitetura marcando presença pela inovação... Foram dez empreendimentos Vinícolas que visitamos e em cada um deles um princípio se fez presente: o vinho deve ser muito bom, isto é básico; o diferencial será buscar ainda algo mais.

A surpresa começa pelo desapego aos velhos padrões do setor e a certeza de que uma tradição não se preserva repetindo os vícios e erros do passado, mas depurando processos e conceitos. Com arrojo e muitos recursos aplicados de maneira criteriosa, a Espanha deu um salto de qualidade em seus vinhos, com um resultado marcante.
    E o fizeram considerando todas as etapas do processo, repaginando os espaços de apresentação e produção, os processos de vinificação, a imagem do produto no mercado, seus rótulos e até a condução dos vinhedos. Neste aspecto é interessante que ainda se encontra extensas áreas com as videiras em "copa", hoje sendo convertidos para parreirais em espaldeira.

 A ARQUITETURA DO VINHO

Evidente que, para um arquiteto, a ousadia nas edificações, desde sua concepção original, até a escolha de seus revestimentos chamará mais atenção. Algumas vinícolas foram projetadas considerando a integração com a paisagem, os aspectos ecológicos, a iluminação natural, em contraste com os espaços destinados para guarda, com absoluto silêncio e reverência ao vinho. Salas de degustação que parecem templos e varejos que não agridem e não pressionam, apenas convidam para a compra de um bom vinho. 

Os varejos com cara de boutique, sem caixas ou expositores de supermercado. Linhas limpas, materiais novos, iluminação impecável.

Olhando a "um futuro mais palpitante que um passado rural e indolente", a Espanha levou a modernidade e a tecnologia para as unidades de elaboração de vinhos, com projetos arquitetônicos específicos, alguns mais audazes que outros, dotando as tradicionais vinícolas de espaços abertos e iluminados naturalmente, com fluidez de movimentos e atividades. No rótulo, deixaram de lado os brasões, os nomes pomposos que aludem a vinhedos inexistentes ou a "barões de aluguel". Trabalham com o princípio de que por fora, no rótulo, é preciso refletir o que tem dentro, a arte do enólogo. As áreas externas são verdadeiros parques, pontuadas de esculturas e intervenções artísticas, tornando o passeio pelas instalações sempre agradável e renovador, onde a videira é o centro de todo o cenário.

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